quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Raimundo Glauco: "O Partido dos Trabalhadores carece de novo rumo"

Candidato à presidência do PT no Estado, contra Geraldão e Júnior Souto, diz que não precisa do apoio de Fernando Mineiro ou Fátima Bezerra para se eleger porque conta com a militância.



O empresário Raimundo Glauco, candidato à presidência do Partido dos Trabalhadores no Rio Grande do Norte pela chapa ‘Construindo e Fortalecendo o PT’, disse neste sábado que “a legenda carece de um novo rumo no Estado”.

Glauco, que vai enfrentar nas urnas internas o atual presidente Geraldo Pinto e o ex-deputado Júnior Souto, defende quatro pontos básicos no Processo de Eleição Direta (PED 2007): ampliação do número de filiados e militantes; surgimento de novas lideranças na capital e no interior; programa de gestão para transformar o potencial da militância em mandatos de vereador, vice-prefeito e prefeito; e maior representatividade nas instâncias de decisão partidária.

Raimundo Glauco diz contar com o apoio da militância, em todos os diretórios municipais, e acredita que poderá derrotar os adversários ligados às duas principais lideranças petistas no RN: Geraldão, apoiado pelo deputado Fernando Mineiro; e Souto, candidato da deputada Fátima Bezerra. “Minha campanha será um reencontro natural com as bases, enquanto eles terão o primeiro contato com os companheiros do interior. Vou constantemente aos municípios para discutir os problemas do PT, que precisa de um novo modelo de gestão porque o partido está reduzindo cada vez mais sua representatividade tanto no âmbito estadual quanto no municipal. E em Natal não é diferente”, alerta o militante.

Segundo Glauco, a sigla norte-rio-grandense possui pouco mais de seis mil filiados aptos a votar no PED deste ano, enquanto o PT paraibano participa do processo com 23 mil votantes. “As filiações representam a dimensão de um partido, somos quase ¼ da Paraíba. Falo baseado em números, a atual gestão não está voltada para ampliar o Partido dos Trabalhadores. Precisamos oxigenar o PT, desenvolver ações no sentido de buscar o crescimento motivando a juventude, os sindicatos, as universidades e os movimentos sociais. Temos que exercitar nosso idealismo e nossa ideologia. Tudo que se faz aqui tem influência direta das grandes lideranças (Fátima e Mineiro), isso merece uma reflexão”, analisa. Para Raimundo Glauco, Geraldo Pinto e Júnior Souto representam a continuidade. “São dois companheiros valorosos, mas alicerçados nos líderes tradicionais.

Quando Júnior critica o PT estadual, na verdade está criticando um modelo imposto por Fernando Mineiro. Quando Geraldão critica o PT/Natal, está criticando o modelo imposto por Fátima Bezerra. Nesse ponto ambos têm razão, e isso precisa mudar. Vamos eleger um presidente cuja disputa está alicerçada na militância, e não nos detentores de mandato. É necessário que se estimule o surgimento de novas lideranças no Estado, mas sempre se colocam obstáculos e eu sou uma vítima desse processo”, reclama o empresário. De acordo com Glauco, existe uma espécie de monopólio dentro do PT pelo qual os dirigentes procuram manteros mesmos mandatos eletivos, sem preocupação com ofortalecimento da legenda. “Na última eleição para vereador reduzimos nossa representação praticamente em todo o Estado. Em Natal tínhamos três cadeiras na Câmara Municipal, hoje só temos duas (Fernando Lucenae Júnior Rodoviário). Em Mossoró tínhamos um parlamentar, hoje não temos mais. Em Macaíba eram dois, atualmente é zero, assim como Parnamirim, São Gonçalo e Extremoz. Isso só para falarmos na Grande Natal. No interior, por exemplo, elegemos a metade dos vereadores que o PDT elegeu”, informa.

Raimundo Glauco defende que os números sejam objeto de apreciação nos debates entre candidatos. Dois ocorrerão no próximo dia 27, um em Santa Cruz (Região do Trairi), pela manhã, e outro em Canguaretama (Agreste), à tarde. “Devemos fazer da campanha um exercício da clareza e da verdade. Os resultados ruins de 2004, com relação aos cargos majoritários e proporcionais, aconteceram quando Mineiro era o presidente estadual do PT. Em 2006, quando o partido já era presidido por Geraldão, só conseguimos eleger uma deputada federal e um deputado estadual. Mas oscompanheiros não devem dizer que o PT é uma aristocracia nem em Natal e nem no Estado porque a legenda está acima das gestões, que são transitórias, enquanto o partido é definitivo”, conclui o petista.

Jornal de Hoje, Natal sábado e domingo, 20 e 21 de outubro de 2007
Matéria: Cláudio David, Reporter de Política
Foto: Eduardo Felipe

Nenhum comentário: